Cuentame al Oído - La Oreja de Van Gogh

on 13/11/2009




Cuéntame al oído,
muy despacio y muy bajito,
porque tiene tanta luz este día tan sombrío.

Cuéntame al oído,
si es sincero eso que ha dicho
o son frases disfrazadas esperando sólo un guiño.

Cuéntame, cuéntame.

El cielo acostado detuvo el tiempo en el beso
y ese beso a mi en el tiempo.

Cuéntame al oído,
a que sabe ese momento
donde esperan hoy los días en que aquello era un sueño.

Cuéntame el oído,
donde duermen hoy tus miedos,
si aún guardas sus caricias en la caja del recuerdo.

Cuéntame, cuéntame.

El cielo acostado, detuvo el tiempo en el
beso, y ese beso a mi en el tiempo.

EU ESCREVI UM POEMA TRISTE

on 04/08/2009






Eu escrevi um poema triste


E belo, apenas da sua tristeza.

Não vem de ti essa tristeza

Mas das mudanças do Tempo,

Que ora nos traz esperanças

Ora nos dá incerteza...

Nem importa, ao velho Tempo,

Que sejas fiel ou infiel...

Eu fico, junto à correnteza,

Olhando as horas tão breves...

E das cartas que me escreves

Faço barcos de papel!





Mario Quintana

Novo cd

on 29/07/2009

Amor e seu tempo

on 30/06/2009


Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.

É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe

valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.

Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde.


Carlos Drummond de Andrade

Tempestade

on 25/05/2009




Deixou a tempestade findar. Calmo, esperou as nuvens mais pesadas se dissiparem. Aguardou que os raios e os trovões lhe dessem adeus. Sorriu.

Observava agora o tímido escorrer da água que já foi chuva. Ainda verifica ondulações no claro espelho que se formou aos seus pés. Pequenas gotas ainda insistem em cair. Destroem o nítido reflexo de sua figura. Distorcido, tanto na água quanto na alma, ele tenta clarear as idéias. Quer deixar de lado a sua parte sombria, aquela que sempre quer lhe colocar pra baixo, a que insiste em lhe dizer que nada dará certo. Foi com este intuito que se dirigiu para a rua no meio daquela imensa tempestade. No intuito de se livrar dos sentimentos que lhe conspurcavam. Foi em busca da purificação, de um tipo de batismo libertador.

Todos lhe diziam: "Louco! Serás tragado pela tormenta" , "Um raio lhe partirá em dois!"

"Tolos!" Pensava. "Como pode uma simples tormenta me tragar se sou eu a própria tormenta? Como posso me preocupar com ela se em minha alma a chuva é mais inclemente que um dilúvio? Como me preocupar com um raio se já me encontro em mil pedaços?"

Tentando se reerguer ele observa o céu ainda escuro, mas sem a ameça de mais uma carga de fúria. Sente o vento em seu rosto úmido. Sente um frio que de certa forma lhe conforta. Sente traços quentes escorrerem de seus olhos. Simplesmente sente...

Não... Enquanto a chuva caía, pensava que não gostaria mais de sentir. Seu desejo era abdicar dos sentimentos. Um ser anestesiado. Um incapaz para o amor. Queria perder a sua humanidade.

Seu desejo neste momento era conseguir pegar aquele menininho traquina de asas que fica espreitando algum incauto com seu kit de arco e flechas, e lhe dar uma surra, para que ele aprenda que não se brinca com o sentimento dos outros. Queria cortar suas asas. Queria fazê-lo provar do seu próprio veneno.

Não queria mais emoções, não queria mais ser aquele sonhador, aquele idealista que um dia acreditou que o amor só lhe traria a felicidade. Aquele rapaz bobo que acreditava que tudo seguiria da forma como ele planejou, não só no lado sentimental de sua existência, mas também do profissional e em tantas outras áreas de sua vida.

Agora, novamente de pé, sente que algo nele mudou. As idéias radicais já desapareceram de sua cabeça. Não deseja mais abdicar, deseja paz. Apenas isso. Quer que as coisas dêem certo em sua vida. Vai lutar por isso. Com todas as suas armas!

Quanto ao amor? Ainda deseja. Mas apesar disso, de ainda sentir a presença dela bem forte em seu peito e de não ter seu amor correspondido como antes, o momento é de introspecção. Precisa ser egoísta. Não pode compartilhar nada neste momento. Seu relacionamento será com ele mesmo. Ele e sua figura. Ele e o seu verdadeiro eu.

Sente-se muito melhor. É como se a chuva tivesse lhe lavado as feridas. Como se uma cura ocorresse em seu íntimo. Não está plenamente curado. Ainda sente um certo peso em seu peito.

Caminha em direção a sua casa. Retira suas vestes úmidas e seca o que restou da chuva. Coloca novas roupas e segue para seus aposentos. Senta em sua cama e reflete sobre o que se opera dentro dele. Olha para dentro de sí. Resolve ligar seu computador. Aguarda a inicialização de seu sistema operacional e abre o seu editor de textos. Começa a digitar:

"Deixou a tempestade findar. Calmo, esperou as nuvens mais pesadas se dissiparem. Aguardou que os raios e os trovões lhe dessem adeus. Sorriu."

O Mar e eu

on 20/05/2009



Fecho meus olhos por um segundo,
Posso vê-la claramente ao meu lado...
Dividindo momentos de pôr do sol.

Calmamente, seguimos pela praia
Observando as ondas que se chocam na areia...
Numa dança interminável.

Elas tocam nossos pés...
Batizando-os com sua espuma cristalina,
Que se desfaz rapidamente.

Voltando a realidade, ainda estou lá,
Sentado na areia...
A observar o mar que um dia compartilhamos.

A saudade toma conta de mim,
Num turbilhão de lembranças.
Num forte desejo por sua companhia.

Desde que você se foi, o mar não é mais o mesmo.
Suas ondas não revelam a mesma beleza de antes,
Como se seus atrativos tivessem desaparecido.
Como se ele, devido a sua ausência, perdesse a vontade de ser mar.

Aguardo o tempo passar,
Com os olhos fixos naquilo que um dia já foi nosso,
Um oceano a se explorar.

Lentamente o sol vai se pondo...
Mais um dia chega ao fim.
O céu se cobre com um manto estrelado,
Desfilando uma imensidão de brilhos que se refletem num espelho d´água.
Que acrescido das nossas lembranças,
Nossas alegres e inesquecíveis lembranças,
Transforma-se em um espetáculo incomparável.




PS: Não estou apaixonado rs Apenas um texto inspirado em algo que poderia ter sido a muitos anos atrás! rs

Somos uma partícula de pó...

on 15/05/2009

Como somos pequenos diante do universo... Dá o que pensar!